sankari

POESIA e ARTES VISUAIS DEVOCIONAIS. Obras de GUNENDRA SANKARI (heterônimo de Carlos Perez). ENCONTROS DO ORIENTE E OCIDENTE, YN e YANG, TU e EU…NÓS!

Infância I

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Felipe brincando no jardim

Felipe brincando no jardim

Chama-me para brincar contigo, meu filho!

Nunca mais o deixarei para ocupar-me com números e papéis.

Não são para ti que eles existem?

Porque dedicar-me mais ao trabalho do que a ti,

Meu pequeno amor?

Chama-me para brincar contigo, meu filho!

Vamos procurar tatus-bolinha no jardim

E carregá-los em seu carrinho de brinquedo;

Tuas pequeninas mãos cobertas de terra…

Também quero com as minhas ficar!

Chama-me para brincar contigo, filho querido!

Nunca mais direi:

- Agora estou trabalhando…

De hoje em diante direi apenas:

- Vens brincar comigo, meu filho.

E os riscos que fizeres sobre a folha de papel

Serão as primeiras ilustrações do livro

Que estamos juntos escrevendo…

E brincando!!!

Govinda O Pastor

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

foto: internet

Nas campinas verdejantes, ao lado de suas mães,
Os bezerrinhos se deitavam para ouvir o Senhor
Do Céu e da Terra.
De muitas formas Ele abençoava as criaturas das planícies:
Ora com sua flauta de bambu, ora com sua voz suave
Contando parábolas e estórias, como a conversar
Com todas as formas viventes.

Muitos O chamam de “Govinda”, O Amado Pastor,
Que cuida de seu rebanho e provê para que
Nenhuma criatura se perca no labirinto do mundo.
Outros o chamam simplesmente de “Meu Senhor”,
“Meu Pastor” e Nele é depositada toda a fé de quem crê,
Sabendo que sob Teu Manto poderá abrigar-se
Incondicional e livremente.

O Pastor, em verdade, tem muitos nomes
E renasce de tempos em tempos,
Sob novas formas, em diferentes mundos,
Povos e raças.

Está presente na criança que brinca inocentemente
Sobre o dorso da vaca dócil e fecunda;
Está presente na mãe que alimenta
O filho pequenino, ordenhando as tetas mornas e rosadas
Da sagrada vaca, que a contempla quase imóvel,
Deliciando-se em dar de si para as criaturas
Do Senhor Pastor.

Reconheço Meu Pastor, nas manhãs ensolaradas do caminho
E nas noites enluaradas do percurso, porém sei que me guias
Por entre as fendas imprevisíveis da senda,
Ou no pântano que dificulta a jornada.

Confio em Tua Misericórdia e em Teu Amor.
Sei que mesmo esquecendo-me de Ti, guia-me anônimo,
Sem que O perceba.
Tuas mãos generosas acolhem-nos nos montes e planícies,
Colinas ou despenhadeiros.

És assim, O Pastor dos Salmos de David,
O Govinda dos Hindus, O Cristo Messias dos Evangelhos.

És, enfim, Nosso Amado Senhor, Pai e Mãe,
Amante e Irmão, Amigo e Companheiro,
O Pastor querido das criaturas viventes e não viventes.

Pastor de Homens e de Almas…
Das terras distantes e vermelhas da Índia,
Aos campos robustos e verdejantes da Terra de Santa Cruz,
És Govinda, És Jesus, O Amado Pastor da Humanidade.

Em verdade, Tu és a Pátria Prometida,
Onde jorram o leite e o mel.
E nós a Cortejar-Te como rebanho rebelde
Que insiste em não Seguir-Te os passos.

Salve Cristo, Hare Krishna!
Amada Índia Milenar e Jovem Brasil,
Pátria do Evangelho: duas nações que se irmanam,
Dois corações continentais que se aproximam,
Dois rebanhos sagrados que se multiplicam
No alimento da alma e do corpo.

Govinda Jaya, Salve, Salve!
Jesus Amado, Hare, Hare!
Krishna, Krishna, Salve, Salve!
Cristo, Cristo, Hare, Hare!

Nascidos de Mães Virgens;
Profetizados Rei dos Reis pelas escrituras sagradas;
Sobreviveram aos holocaustos dos recém nascidos;
Perseguidos pelos Reis e Césares de Seus tempos;
Tentados pela ilusão do Ego;
Triunfantes pela Lei do Amor,
Ensinando-nos a amar nossos inimigos;
Pregando e semeando discípulos por onde passavam;
Ensinavam a todas as “castas” que a Humanidade
É uma só família;
Os simples e humildes os clamam: Filhos de Deus!
Perdoaram seus algozes;
Morreram trespassados por pontas de lanças e cravos;
Expiraram no instante final o nome de Deus Brahaman.

Após suas mortes o sol desaparece
E a tempestade dos céus varre a terra, convertida em sangue.
Seus corpos espirituais de luz ascendem ao Céu.

Cristo leva consigo dois ladrões,
Que o acompanharam no Calvário;
Krishna leva consigo suas duas esposas,
Sarasvati e Nixdali, que se lançaram
Na pira mortuária para se juntarem ao Mestre Amado.

Aleluia Krishna, Aleluia!
Hare Cristo, Hare!

(in “Govinda O Pastor” de Gunendra Sankari.Direitos reservados: Carlos Marcos Perez Andrade)

APSARA

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

foto: Drona

 

Todos os meus sentidos são para ti,
amado meu!

De minha boca silencio mantras
que desabrocham lótus de minhas mãos…
de meus olhos minh’alma agradecida
conduz para os meus pés
o tambor de tua criação.

Aceita esta dança que é tua.
Deixa que te leve em meus braços
e possa dizer-te:
- Como é lindo o teu tilintar!

Em tua respiração renasço,
em teu canto me esvazio,
para encher-me de ti novamente
e semear nos passos meus
as flores que a ti ofertarei.

Aceita esta dança que é tua…

Vou roçar minhas vestes
em teus sagrados pés…

E da torre de meu templo
- Himalaia do meu ser -
poder dizer-te:
- Como é linda tua dança,
amado meu!

Gunendra Sankari (Carlos)
do livro-cd "Govinda - O Pastor"

Accept this dance which is yours I will rub my clothes on your sacraded feet. And the tower of my Himalaia temple of my abilith to be and tell tree – How wonderful is your dance beloved of mine!

DEVAKI

Vou sentar-me na penumbra deste jardim, tocando mansamente pequena flauta de bambu para que tu a confundas com o vento e possas dançar embalada em minhas canções que agora serão tuas…
I will sit down in the darkness of this garden, playng softly my bamboo flute, so thay you mix it up with the wind and dance wrapped up by songs that are yours now…

Ilustration: Sirimad Bagavatam

LOTUS

…Assim és tu amado meu: sob teus pés lótus azuis florescem, perfumando-te os passos. Resta-me segui-lo com teu aroma sem fim, pois tuas criaturas ofertaram-te suas vidas para que pudesses renascer em seus corações.

…This is the way you are me beloved! Beneath your feet blue lotus bloom perfuming your steps. All I have to do is follow you with your endless smell, because youre creature offered their lifes so that you could be born again in their hearts.

LAKSHMI

Hoje a lua demorou-se e seremos apenas vultos anônimos na noite dos Homens, pois somente tu e eu nos vimos sem vestes e nos reconhecemos. – Vem amado meu! Seremos três: eu, tu e nós!
Today the moon slowed down and we Will be nameless figures in men´s night since only you and I saw each other with no clothes and we recognized ourselves – Come my love! We will be three: me, you and us!

Tua Melodia Vem Suave Com o Vento

sexta-feira, 4 de julho de 2008

 

Tua melodia vem suave com o vento…
Toca-me os cabelos, perfumados com tua flor.
És sempre tão amável e terno, puro e discreto.
Atuas onde menos valorizamos,
E te fazes anônimo, onde mais nos destacamos.

Não ouso sequer chamar-te,
Escuta-me antes que possa escutar-me.
Apenas silencio a contemplar-te,
Na calma do crepúsculo ou na tormenta das metrópoles.
Estás sempre ali e não te mostras.
Explicitamente oculto, entre pedras e fendas,
Sobre viadutos e pontes…
Estás sempre ali e não vemos a ti.

Teu amor move os mundos…
E cria os astros, sóis, o “tudo” e o “nada”
Que ainda não compreendemos.
Alimento universal, princípio do ser:
Amor teu que nos esvazia e preenche.

Porém, escuta-me, embora já saibas antes de mim –
Quero entoar meu cântico e oferecer-te.
Receba-0, ainda que de nada necessites, acolhe-o.

Quando chega aos teus ouvidos, já estou em ti.
Ainda que já estejas preenchido, escuta-me.
Quero a alegria de poder tratá-lo de “tu”,
E ouvir-te dizer: -“Fala-me!”

Agora que estou a escutar-te, silencias,
E ainda assim me sacias em meu vazio.
Sussurras silenciosamente e despede-te,
Ainda que jamais saias do meu leito;
Beija-me intocável, e adormeces,
Ainda que me veles o sono.

Na noite vejo tua capa, cobrindo estrelas e luas…
É hora de convidar-te a sentar à mesa,
Ainda que sejas meu anfitrião.
Tomo do vinho que me dás, e brindamos…
Sento ao teu lado e estendo a mão a tocar-te,
Ainda que me envolvas em teus braços.

Do bambuzal vejo teus dedos de músico;
Dos mangueirais vejo tua cabeleira que tudo cobre.
Na luz da noite vejo teu vulto em contornos prateados;
No frio da brisa noturna, a expectativa de que te aproximas…

Na sombra dos templos teus pés repousam,
E nas clareiras tua boca em perfume
Revela mantras e hinos,
Ainda que nenhum som pronuncies
E nenhum verbo te expresses.
Mesmo assim, deixa cantar contigo o que não sei.
Ainda que me saibas em segredo, deixas eu cantar-te;
E se faço oferendas a ti, deixa ofertar-te,
Ainda que minhas flores sejam as tuas.

As chaves de minha casa a ti ofereço,
E em meu quarto tua cama espera por mim.
Na varanda estendi minha esteira para o teu descanso,
Ainda que o trabalho seja o teu lazer.

Espera por mim ao entardecer
E colhe de teu jardim lótus azuis,
E prende-as em meus cabelos a dizer-me:
- Seja bem vindo amor de minha vida -,
Ainda que caminhaste comigo toda a viagem,
E sejas tu, a razão de meu ser, vida e morte…

E quando me chamas para perto de ti,
Corro ao meu encontro.
A morte tornaste vida com o teu canto.

Do bambuzal vejo teus dedos de músico…
Tua melodia vem suave com o vento…

(in “Tríplices Cordas do Destino” de Carlos Perez. Ed. Gandharva)

Teu manto no mar de Turner

quinta-feira, 17 de abril de 2008

 

Com o fio da ternura teceste o manto que agora me acolhes.

Singelas flores bordadas com o brilho de teu olhar ornamentam suave véu que me aquece e refaz.

De tua boca o silêncio emoldura as notas sagradas do teu coração.

Fico encabulado quando avisto para além as aves que se recolhem no crepúsculo, enquanto cantas aqui para mim, tão perto.

O Criador, porém, não nos quer fechados em nossas casas.
Quer que estendamos nossos laços.

A alma, no entanto, cautelosa tatea por entre as sombras do mundo pontos de luz que não a façam esmorecer ou enganar-se.

Em ti, porém, ancoro meu coração, ainda que o mar misterioso da vida seja o nosso destino.

Vou embalar-me em tuas marés e esquecer-me dos perigos que a entrega traz…

Quintessência

sábado, 21 de abril de 2007

 

Há quase um milênio serias Clara,

A segurar a mão de Francisco de Assis,

Em comunhão com a Natureza,

Templo Primevo do Criador.

Manto de Prata

quarta-feira, 4 de abril de 2007

 

Sob Teu Manto de Prata descanso meus sonhos

E sob Tua Cabeleira de folhas adormeço…

O Amado não se demora e ouço entre as folhagens

Os passos do vento que o traz contornando meus braços

Que O Espera sempre… sempre…

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